domingo, 29 de maio de 2011

Dias de noites difíceis

Maria chegou em casa cansada, sacola pesada, frutas de fim de feira. Encontrou seu marido bêbado, como jamais havia visto. Soltou a sacola no chão e tentou colocá-lo em baixo da água gelada do cano alto do banheiro imundo. Ele resistiu, ela insistiu, ele pegou um garfo e cravou entre suas coxas. Maria não gritou, não quis acordar a filha mais nova que dormia no colchão ao lado do fogão a lenha. Ela retirou o garfo friamente e colocou suas roupas em uma mochila verde velha e saiu, deixando os filhos e o marido bêbado desacordado no chão do banheiro. Maria nunca mais voltou pra casa.



Paulo tinha 23 anos e com exceção da empregada adolescente, jamais havia penetrado entre outras coxas. Seu pai lhe cobrava mais empenho, mas as mulheres que Paulo conhecia jamais aceitaram um convite para entrar no carro que seu pai o emprestava toda sexta-feira à noite. Então naquele mês de junho ele cansou das tentativas em vão com patricinhas exigentes que só queriam o pó e jamais correspondiam com os atos esperados por ele, pegou a chave e desceu até a garagem.
Embebido em Scotch e coragem, rumou às ruas vermelhas da cidade quente.
Paulo entrou no primeiro prédio de corredor estreito e escadaria vermelha que passou pela frente – o primeiro com estacionamento exclusivo, na verdade. Não queria correr o risco. Entregou a chave e subiu. Não selecionou, apenas pegou por ordem de chegada. A primeira que viu. No quarto de vidraças quebradas com divisórias de isopor, encarou a ferida entre as pernas da puta como se não lhe passasse pela cabeça a possibilidade de ser cancro mole.



Cardoso bebia uísque e pensava na sua esposa. Desconfiava de um possível envolvimento dela com um dos empregados da empreiteira, o peão de obra que cumprimentava sua mulher sorrindo. Chamou o empregado em sua sala e mandou ele tomar no cu. Empurrou uma carta de demissão sobre a mesa. Saiu da sala e foi para o banheiro cheirar a cocaína que encontrou por acaso no porta-luvas do carro que havia emprestado para o filho na semana passada.

2 comentários:

Felipe disse...

CARA, essa quebra de linha é tão fantástica.

Muito bom vir aqui te ler haha As frases curtas e cortantes...Acho que você tá ficando cada vez mais "afiado"

Abração!

Diego Pereira disse...

Rubem, procure ajuda. Abraço.