quinta-feira, 26 de março de 2009

Welsh às Sete.

- 15:31. June sempre chegava com as drogas. Tocava a campainha.
De dentro daquele apartamento com tijolos vermelhos e uma porta branca no número 3412 na rua Welsh saía Spud.
Ao abrir a porta para receber June, arrumava sua camisa do Liverpool no corpo, coçava a cabeça e dizia ''Passe'', olhando para o chão. Fechava a porta.
Era um lugar pequeno, poucos moveis, um tapete vermelho, uma porta à esquerda e
outra central. À esquerda entrou June, sabendo onde largar o que carregava - era quase um quilo e mesmo assim sabia que deveria trazer mais daquilo na próxima semana-.
Spud sentou-se na cadeira e perguntou à June sua idade. June diz: ’19 anos. Sou nova, não?’. Spud diz que ela era nova pra tantas coisas, mas nessa tarefa a idade dela não importava, mas a experiência.
June sentou-se perto de Spud e perguntou porque ele não pagava logo o que devia e parava de acertar as contas sempre depois de uma surra. Spud sempre respondia balançando a cabeça de modo que não se podia entender se aquilo era um sim ou um não.
‘Denver ainda quer me matar?’. É claro! – Responde June – ‘Enquanto não pagar o que deve, sim’. – completa.
Spud já não ligava, mas June não queria perder seu cliente, ainda devia conversar sobre o filho de Spud que estava esperando -já nos últimos meses-, e perguntar se Spud já havia se conformado.
Ele entra em seu quarto passando por um corredor estreito depois de abrir a porta central. June vai junto.
- 16:55. June apagava seu cigarro no cinzeiro que trasbordava quando ouviu buzinas. Lembrou que Denver viria hoje, mas disse que ‘por voltas das 19:00’.
June primeiro tenta acordar Spud, não queria atender a porta, Denver gostava de entrar atirando. Spud ‘‘não estava mais ali’’. Ela procura o dinheiro enquanto ouve alguém bater na porta e tocar a campainha com impaciência. Spud parece começar a acordar.
-June, que porra toda é essa?
-Spud, onde fica o dinheiro? Denver chegou.
Alguém abre a porta.
Spud diz que não é hora, pede pra que ela abra a porta porque logo um amigo seu vai chegar com o que ele precisa.
- SPUD! – Grita Irvine.
- É seu amigo, Spud? – Pergunta June.
- Sim, abra a porta. – Spud diz.
June, ao abrir a porta do quarto, fica mais tranquila ao ver que Denver não havia chegado.
- Como é, Spud? Vai precisar mesmo disso? – Pergunta Irvine olhando pra Glock 19 que acabava de trazer.
- É claro! – Responde Spud, sempre num tom baixo e olhando pro chão.
- Não acho uma boa saída, Spud. Denver não vem sozinho.– June adverte.
- Hoje não, June, hoje não. – Spud fala um pouco menos baixo.
Spud chama Irvine pra conversar e testar a arma na cozinha. June senta na cama e olha pela janela na direção que Denver costuma vir.
Depois de alguns disparos, Irvine foi ao quarto despedir-se de June. Passando pelo corredor encontra Spud, que vai abrir a porta.

Eram quase 19:00.
- ‘’Faça direito se for fazer, Spud. Eles são dois, não se esqueça.’’
Spud põe a mão na maçaneta e enquanto torcia para abrir a porta sente um empurrão e cai no chão.
Era Denver, dessa vez. Irvine cai depois de levar dois tiros próximos ao ombro.
Spud fica mudo. Denver dá boa noite e pergunta pelo dinheiro. Spud se levanta e diz que vai buscar. Entrando no quarto faz sinal para que June não saia, pega o dinheiro e deixa a arma no quarto. Irvine sangrava enquanto via Spud pagar o que devia para Denver. Ao ver que Spud ia para o quarto, Irvine segura seu pé e diz: “Acho que resolvemos tudo, não crie problemas”.
Spud faz um sinal negativo com a cabeça e puxa o pé. Caminha pela sala, sobre o tapete vermelho, abre a porta central, passa pelo corredor, entra pela porta da direita e encontra June. Ela pergunta se foi tudo resolvido, Spud diz que não, abre a porta do guardarroupas, pega a arma e aponta pra June. Diz que não está pronto para um filho.
O primeiro tiro ele acerta no ombro de June. Os gritos dela o deixavam tonto, seu desespero aumentava e o barulho do osso sendo perfurado havia feito ele desistir do que faria. Então Spud resolve dar um tiro na própria cabeça. O sangue passa por baixo da porta se misturando com a cor do tapete vermelho que ficava a metros dali, na sala, onde Irvine se rastejava tentando encontrar o quarto para avisar que o filho era dele, não de Spud.
Irvine vai morar com June. Depois que seu filho nasce vai à um médico inoperante e viciado em heroína para fazer uma ‘cirurgia’ e retirar a segunda bala do seu braço que já havia andado uns cinco centímetros.

Entre uma agulhada e outra o médico teve uma overdose durante o procedimento fazendo com que Irvine perdesse muito sangue e morresse horas depois.


4 comentários:

Matheus disse...

É dela mesmo que eu estava falando.

Diego disse...

nemli

Felipe Luna disse...

Toda vez que eu leio um texto teu eu formo os cenários na minha cabeça como se fossem Londres no inverno. hahaha
Meio louco, mas tu leva a um universo meio depressivo e acizentado, como Londres.

Mas o que eu mais gosto é do humor negro. (também britânico). hehe

Parebéns pelo blog!

Nathália disse...

Nossa! Gostei da parte que o sangue mistura com o tapete do vermelho.