segunda-feira, 16 de março de 2009
O cão de Jonze
Depois desse dia prometeu cuidar melhor do seu cão.
terça-feira, 10 de março de 2009
Regressão
Depois de doze anos começamos a namorar.
Seis anos se passam até eu te dar tchau e tu agir como se tivesse três anos novamente.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Brian Oldham
Voltar da reabilitação não era fácil, é verdade, mas não queria voltar pra lá.
Esse lance de começar tudo de novo de um jeito diferente era fóda.
Quando entrei em casa havia um cheiro estranho, eu sabia que era por conta dos cigarros deixados sobre a mesa, que umedeceram e apodreceram durante esses cinco meses, na verdade foram mais, ou menos, não lembro quanto tempo fiquei dessa vez.
Agora lembrei de como era aquele dia. Acho que era Julho, o mês. Fazia um calor fora do comum, mas as nuvens eram 'pesadas', chovia de 30 em 30 minutos. Bom, limpei meus pés e os cigarros sobre a mesa - meus pés não estavam sobre a mesa - e parei pra pensar.
Havia um ‘porque’, eu não usaria nada se não precisasse realmente. Parei de pensar. Era quase isso que me aconselharam antes de eu sair, ‘’...E não pense sobre isso’’, isso foi o que eles disseram. Continuei pensando.
Tomei os remédios, antes da hora. Quem sabia da hora era eu, meu corpo, sei lá. Tava uma merda aquilo tudo, aqueles vinte minutos passavam mais rápido no passado, mas eu precisava falar ''estou limpo'', mas acho que não queria falar isso pra mim mesmo. Isso!
Era esse o problema, me mantive ‘preso’ pelos outros, e claro eu já nem me coordenava mais; verdade, eu precisava parar. Bom, eu parei, já podia voltar a usar. E se eu fosse isso, um drogado?! Existem os motoristas, os músicos, os advogados, publicitários, etc. Porque eu não podia ser o que eu quisesse? Bom, eu devia maneirar nas doses, pra viver um pouco, nunca vi graça nisso, mas sei lá, se eu morresse não ia poder ver as coisas amarelas tornarem-se verdes, ou tudo se destorcendo enquanto eu ‘’pedalava’’, etc. Bom, vou diminuir a dose a partir de hoje, estou reabilitado à usar, mas com moderação. Isso aí foi o que eu disse.
- Brian Oldham escreveu isso, e voltou.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Vício
Respirei outra vez e agora vinha o gosto amargo, uma sensão chamada 'pós'.
Agora tudo que eu tinha era depois e depois, após e desde que.
Quando fosse contar minhas histórias sempre seriam assim o começo, isso se viessem após esse fato.
Tudo agora tinha o gosto certo pro momento, eu sabia que o amargo era o que eu sempre procurei.
Sempre tive essa mania, experimentava situações boas para experimentar a sensação do fim, sempre foi esse o lado bom.
Depois de curtir um pouco mais o que estavamos vivendo, te liguei, terminei tudo em segundos e esperei que viesse logo esse gosto amargo que viciei.
Nossos orgulhosos 5 anos de convivência eram tão frageis que foi tudo embora em segundos, então disse: ''Foi ilusão.'' e desliguei.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
A Prestação;
Um indigente me chama atenção estendendo a mão
e fala:
- Uma moeda, senhor?
Vida dura, penso eu.
Ofereço-lhe o suícidio.
- Tome um cigarro, senhor!
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Noé: cigarros e café.
Lá fora, depois de muito tempo sob um sol de 38 ºC, chovia. O clássico cheiro de poeira sentada pela chuva corria pelo ar despertando comentários. A muito tempo não se via cair uma gota d’água naquela cidade cinza e envenenada pela fumaça dos meios de transportes atuais.
De dentro de uma tabacaria saía Noé, sujeito magro, porem sedentário, com uma revista embaixo do braço e alguns maços de cigarros de filtro grosso.
Com todo aquele calor a idéia de Noé ao entrar na tabacaria era de usar o troco para uma bebida gelada, típica dos trópicos, mas a chuva que lhe pegou de surpresa exigiu-lhe um café.
Nada mal! Pensou consigo mesmo, vendo que o tempo cada vez mais se fechava, formando uma nuvem maior que a nuvem de fumaça que já fazia parte da cidade a tempos.
Passou em frente ao Café Vitória, lembrou que o expresso dali não lhe agradava. Mais a frente, cruzando duas transversais e virando à direita subindo uma ladeira, chegaria fácil ao lugar onde preparavam o melhor café & conhaque que já experimentara naquela cidade.
Tarde demais, a chuva já havia ‘apertado’.
Sentou, meio contrariado, sabendo que ali nada era de seu costume. Pediu logo o tal expresso, sem conhaque. Preferia não arriscar.
Abriu sua revista e passou a ler. Numa tabacaria normalmente não se encontram boas revistas, alias, a especialidade não é essa. É como ir à revistaria e exigir que vendam os melhores cigarros. Sabendo disso, nem se prendeu muito a leitura, passando a observar os cantos e quadros do local, passando os olhos por sobre clientes, jornais, copos, descansos para copos, revistas. Nas paredes; Van Gogh, Monet ou Portinari? Desistiu. Quadros nunca foram seu forte, arte nunca foi seu forte, com exceção da música, coisa que lhe rendia um interessante hobbie. Tocava xilofone.
Analisando ainda o lugar, passando os olhos por mais alguns cantos, acabou encontrando algo, não um objeto raro ou algo de valor, era uma moça, aparentava ter sua idade.
Não sabia se a moça trabalhava ali, não é normal que uma mulher de 30 anos freqüente aquele tipo de lugar sozinha -não por machismo-, mas o que lhe interessaria ali?
Cercado de dúvidas, ficava inquieto, as vezes arriscava levantar-se de perto do balcão, mas a moça notava seu movimento e assim ele se constrangia, voltando ao seu lugar. Uma cena patética, mas ela achava engraçado.
Tomou coragem e um gole do expresso que acabara de chegar. Sentou-se junto a moça na mesa, pensando ainda no que falar foi surpreendido por um ‘’Tudo bem?’’, que saiu de forma espontânea como quem queria dizer que não havia problemas em ele estar ali.
Respirou fundo e agora não agia mais como um adolescente de treze anos, estava mais seguro e propôs um dialogo, informal.
Passaram dez, quinze, vinte e oito minutos. A conversa fluía, achava, Noé, que havia encontrado uma companheira, no mínimo para um café no fim de cada dia. Mais três minutos se passaram e a mulher que passava a ser a dos seus sonhos explicou que chegava perto da sua hora e que precisava mesmo ir. Noé perguntou o porque da pressa se afinal, era solteira, não tinha filhos, nem mesmo família naquela cidade. Levantando e tirando debaixo da mesa uma mala estufada de coisas, concluiu que estava de passagem, mas que havia adorado a conversa, prometeu um dia quem sabe passar por lá outra vez e ficar por uns dias, mas naquele momento estava de passagem. Noé ajudou-lhe com a mala até a porta do Café Vitória, desejou-lhe boa sorte e se despediu. Lá dentro um pouco confuso, sentou no mesmo lugar, engoliu o que sobrou do expresso já bem frio e refletiu.
Pegou a revista e reafirmou sua teoria, a mesma da revista comprada na tabacaria. Agora debatia isso com o fato de ter se enganado ao ter uma breve ilusão de amor perfeito logo com uma mulher de cafeteria.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Louie Louie
Ela havia sentado ali á poucos minutos e a vontade era de não levantar. Estava confortável.
Existiam acentos suficientes para que ela pudesse mudar de perspectiva por pouco mais de vinte vezes, na verdade pouco mais de nove se contarmos que o que lhe interessava eram os ‘’bancos da janela’’.
Ao invés de escutar as buzinas e os ruídos, preferia os fones.
Seu olhar parecia atento por trás das lentes escuras, pois, inclusive, seu corpo mexia quando via algo passar na rua que lhe interessasse, ou para ver quem acabava de entrar.
O cheiro da goma que mascava exalava após cada ‘’bola’’ feita e seguida de um estouro.
Em suas mãos, uma pasta transparente com um desenho que me lembrava pop-arte. Realmente era interessante. Apelidei-a de Louie''
- Após vê-la levantar-se para tocar o sinal e antes que chegasse a porta, entreguei-lhe a cópia do que escrevi acima, claro que logo abaixo seguia meu ‘número’.
No mesmo momento em que recebe a folha de caderno um pouco amassada, responde com um sorriso e passa a ficar vermelha como se tivesse acabado de ser colorida por Roy Lichtenstein.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Sobre Bêbados
O balcão era liso, de madeira grossa, com um tom 'marronfosco' marcado pelo fundo dos copos de outras pessoas que já estiveram ali, pelo mesmo motivo, ou não.
Pessoas que já sentaram ali só para conversar; com a balconista, com o bêbado ao lado; para falar dos problemas com lagrimas ou com exagerada felicidade contar seus sucessos; para comemorar, falar do passado, sonhar com o futuro, odiar o futuro ou apenas estar presente, de frente aquele balcão envelhecido pelo tempo e o tempo é quem trás as pessoas para perto dele, não o tempo em seu simples estado abstrato, o tempo concreto, o tempo dos acontecimentos quase palpáveis. O tempo que muda o caminho, que trás problemas, que faz você sair de perto do balcão caminhando torto, para fora, chutado ou andando, para o banheiro caminhando ou correndo a vomitar. Coisas que muitas vezes já aconteceram ali, em frente ao balcão.
Enfim, pediu um cigarro, acendeu e viu a brasa queimar, como quem assiste ao fim de um filme, com os olhos de alguém que a visão já é falha e tem que ler muito de perto o livro, eram sim, com esses olhos que olhava a brasa queimar, apertando de leve as pálpebras como quem força a vista. O cigarro lhe fazia pensar no que beber, um café seria nada em frente ao seu problema à sua magoa, o seu luto. Fosse o que fosse ele queria sair da frente daquele balcão muito bem, ou quem sabe pior do que já entrou, mas com seu problema resolvido, ou quem sabe apenas com essa ilusão, a ilusão que vem durante o porre, aquele pensamento de que tudo está bem e que faz o bêbado otimista rir de tudo, enquanto os bêbados pessimistas só choram; esses são os que bebem para ver os problemas, são tolos, que bebem para lembrar das coisas que tantos não conseguem esquecer.
A fumaça já lhe contornava o corpo, naquele momento sozinho lembrava do que aconteceu a horas atrás, e o que lhe trouxera ao bar era aquela velha história que lhe fazia tremer por dentro, como febre, que lhe ardia os olhos e acelerava seu batimento cardíaco, não tinha cura, talvez tivesse, mas nunca pagaria por isso, achava besteira recorrer a esse tipo de tratamento logo aos 49 anos de idade, se aquilo lhe trouxesse o fim então que fosse logo,
Passou pela sua cabeça quantas vezes já estivera ali, pelo motivo ou quantas vezes na semana. Pra ele era a primeira vez, pelo menos naquele bar, realmente não lembrava de nada, apenas flashs de coisas que podiam ter acontecido de verdade mas talvez não ali.
Enquanto ficava confuso nos seus pensamentos, tentado lembrar porque estava ali, logo naquele bar, e porque era tudo tão familiar tendo ele nunca entrado naquele salão, é quando a balconista com lábios cor 'laranja-citrico' pergunta pra ele:
- O mesmo de sempre?